Wednesday, February 09, 2005

Compliquei-me.

Talvez a noção de requinte tenha ficado um pouco lá atrás, na simplicidade, ou talvez tenha apenas deixado de escrever na disposição "certa" - para isso. Mais assustador ainda, talvez tenha deixado de o saber apreciar. E, como em tanta outra coisa, lamento o esquecimento.
Falta-me coração, mas nunca duvidei que a mim se adequassem melhor os meus conselhos... De que outra forma os poderia dar?
Não me esqueci do sabor do chocolate nem de ritmos deliciosos da música. Não esqueci também o prazer de correr ou de dormir os sonhos dos anjos. O que esqueci verdadeiramente foi a loucura. E que falta faz!, como me lembro de reparar...

"Sem a loucura que é o Homem
mais que besta sadia,
cadáver adiado que procria?" - Álvaro de Campos

Chegará sempre a hora em que a cabeça precisa do seu descanso, haverá sempre que negar os medos que tem do impulso. Assim se vive em dissonância.

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

De louco todos temos um pouco e, como é um lado nosso, precisamos de o cultivar e de o tratar tão bem como o lado menos louco. Sounds crazy, huh? Yeah, I'm workin' on it!

09 February, 2005 22:40  
Anonymous Anonymous said...

Dissonantes são duas coisas que não estão, nem podem estar de acordo; duas coisas que por si só se anulam ao se juntarem. A loucura e a racionalidade não são dissonantes - completam-se. Atrevo-me a dizer que são quase indissociáveis. Só se vive em dissonância quando tocas apenas um lado da realidade; e se esperas ainda que chegue a tal hora impulsiva, não desististe da loucura.
Cat

10 February, 2005 17:16  
Blogger João Vale said...

Cat não é grave? I'm the victim here...! lol =P
Guess I'm the killer too, mas adiante.
Dissonância "só" como sinónimo de desarmonia, tb não me identifico com esse extremo, como sabes. São sempre tantas as arestas por limar. *

11 February, 2005 00:44  

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