Saturday, February 26, 2005

"Exausto-me do que não sei?"

É cada impulso, absurda necessidade de salvação, de prosperidade, de paz e segurança, ternura de beijo. É talvez medo. Medo não! Não pode ser medo pois não? Então e o idílico das fantasias?! Gostar não pode ser medo de perder, nada se aproveita se só pensarmos no seu fim, até porque o atraímos.
E é assim que tão ingenuamente me contradigo, inocente crueldade de mim, em mim, para mim. mim, mim...
Continuo a criar, talvez. A moer, incansável. Confundindo ideais e metas na incessante busca em que me perco, baralhado. Porque chego à tão aparentemente irrefutável conclusão de que o que procuro é o sofrimento. Para o diabo a metodologia da dúvida. Não há evolução no método. Esperneamos, zarolhos, até à aceitação exausta. Há a inutilidade complexa, um misticismo tão racionalmente anti-místico (que até enoja!) e há a preciosa serenidade, a contemplação do simples. Não, não Caeiro, o homem não é um espectador, corrói tudo o que o rodeia tão intimamente que afugenta. E, na solidão, julga questionar a sua individualidade e contemplar originalmente o que não faz parte de si. Na verdade, foi banido.
Regressar às origens não é assomar pacificamente esta alma sensível ao feliz desabrochar da Natureza. É florescer com tudo, qual Primavera única e conjunta. É voltar a participar tão naturalmente, tão naturalmente para tudo, para nós.´
Aí sim, "mostrar ao Universo ele próprio", embora nós é que precisemos de o descobrir.

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