Wednesday, February 02, 2005

Não é a primeira vez que o título encalha.

Gostava de saber desenhar, de falar o francês dos fluentes, da sabedoria dos que falam pouco e às letras aplicam o seu talento. E que letra bela o esplendor de uma mão!
A nossa homenagem ao desenho da vida, por mais desajeitados que nos possamos sentir, tem o sabor do pão quando sai do forno - Que atrevimento dizerem que com manteiga ainda melhora! - Coube ao que nos aprouve mais, partilhar retratos do parceiro - já não estejamos, talvez, assim tão longe dos auto-retratos. Esses tão espelhados no que conseguimos dar, mas cuja amorosa interpretação nos diviniza - ao realismo ou à transcendência; tal como, também de uma forma ou de outra, a parceria se completa em reciprocidade e a solidão faz todo o sentido, a dois.
Mas o deus não vive com o de mau-tempero - a sintonia acaba de polir o que no coração já brilhava. E o gosto nos ensina a pintar, a paixão nos ensina a correr.
Mas como tender para a comunhão?, que cada cor se funda em beleza com as vizinhas, quando tão cruelmente desaba a chuva sobre a paleta? "Em si mesma, pois então!" O terrível e incontornável adversário, cuja intervenção é indispensável ao sucesso.
Essa é a paleta dos que sonham, os mundos e os deuses nas suas mãos, para os seus corações, pelos que por tudo isso se não tentam. Que descansemos a trabalhar, então, para cada esforço que se avizinha.

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