Sunday, February 20, 2005

Para a escrita.

Em relação ao destinatário sabemos que o zero vale mais que o um. Que o espaço é eternamente mais útil que o que quer que seja. Tal como o tempo - permitam-me que os enquadre paralelamente.
Por isso me ía atrevendo a deixar de escrever cartas. E se é verdade que as publicações no blog têm muito do que colocaria aos antigos destinatários, e que esses continuam a fazer parte do conjunto dos novos, dos destes posts, também o é que me magoa o esquecimento da caligrafia que me assaltou, e leio-o em cada comment. A minha não esqueci - para aqui só transcrevo, mesmo permitindo-me alguns atrevimentos -, mas quem não a esqueceu entretanto? Claro que é tudo o que a caligrafia simboliza na questão, e o que recordo com mais gosto é isso mesmo. Há que tentar estar lá depois de dar ou, por outro lado (por outro "dar"), estar lá enquanto nos damos em comunhão para o momento.
Não há decepção nem zanga. Esta pluralidade bloguística e impessoal (no que respeita o meio de transmissão e partilha) é atraente, apesar de tudo o que me lembrarei de não abdicar. A minha parte garanto.

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