Tuesday, February 01, 2005

pzzt.

Sinto-me novamente em movimento. Não um galope sôfrego, mas antes, e para meu lamento, um trote tosco e calculista, demasiado racional, amedrontado pelo que desconhece. Não há paixões surpreendentes de sorrisos, e o instinto sinto-o distante, frouxo até; escondeu-se talvez debaixo de lógicas e matemáticas apoéticas, lá aninhado onde só existe o comer o dormir e o estudar.
Vejo-me nas decisões da evolução, e não só minha - deixemo-nos disso, não é preocupação. É a vontade de partilha que se atreve a incluir opressão? Como se pudesse forçar alguém a poder receber-me. Mas para quê tentar moldar os que me ouvem. Se os quisesse fixos e previsíveis não precisava deles. Não quero que sejam o que espero... O que vou tentando equilibrar é, então, as vantagens da surpresa e a frustração de me não rever no para onde mergulho. Se ao menos me tornasse mais humilde, pudesse olhar para cima e esperar nada, até que me englobassem, prevendo as minhas reacções... Reconheço-o pontualmente a um ou outro grande génio, claro, daqueles distantes, daqueles mortos. Talvez só nessa humildade me conseguiria entregar realmente. Precipitar-me instintivamente para uma morte tão espontânea, tão verde. Saudades não sei de quê, saudades não sei de quando...
E não me posso queixar de falta de espaço, pois só a razão dele necessita; tão facilmente se coça o instinto, antes de explodir! Muito embora me não pareça o mais correcto usar da ponderação para moderar apenas as inexoráveis e terríficas consequências da precipitação apimentada(cheiro a medo...).
Ora essa, não quero precipitação apimentada! É antes aquele doce que se esconde debaixo da língua, implacável e eufórico. Vem, o mistério está também na provocação, e eu preciso de ambos.

3 Comments:

Blogger Teresinha said...

Desculpa invadir o teu espaço assim devagarinho e deixar os meus olhos por ca, não consegui resistir. Escreves muito bem, gosto da maneira como te exprimes. Muitos parabens pelo post e pelo blog em geral. :)
se me permitires voltarei. Um beijo*

02 February, 2005 23:47  
Blogger João Vale said...

edge of night falaste bem, agradeço muito todos os comments. dou importância ao feedback, claro, caso contrário não criava o blog.
passa a contar a vossa liberdade e que nada vos intimide! cumprimentos, obrigado.

ps: rui grande parceiro dos segredos da doçaria, temos de partilhar umas dicas um dia destes! [ ]

03 February, 2005 21:39  
Anonymous Anonymous said...

Deixei-me embalar pelo suave trote dos teus pensamentos, ou diria melhor, pelo apressado correr da tua escrita. Deixei que os meus olhos corressem o teu legado, dei por mim abismada, aterrada, sem saber bem porquê. A razão da minha confusão é tão simples que tenho medo que ela me aflore os lábios, tenho medo que ela saia abruptamente, como um carro que desce sem travões. Mas não consigo, ou não quero simplesmente. Ficará aqui travada entre a minha razão e a minha acção...
Não sei se fui sufecientemente clara, às vezes acusam-me de o não ser. É através da palavra escrita que consigo revelar aquilo que realmente sou, por detrás de metáforas a revolta surge e todo o cinismo do mundo quotidiano se esvai! Quando isto acontece chamam-nos loucos, diferentes. Não querem ser acordados, lutam contra isso com todas as suas forças e quando olham para nós, que estamos a 15metros do chão, cintila nos seus olhos a vergonha de pertencermos à mesma espécie. Agora julgo compreender o que é "ser pedinte a valer", o não "ser empregado certo". É o estar perante o não mistério, perante a desilusão que sente o vencido, se é que há vencedor. Quero mais que tudo atingir a Verdade, exijo-a como um direito. O que recebo em troca é a infelicidade de ver que a não encontro. Talvez um dia este eu se dispa, como um casaco que se pendura...

Desculpa me se me alonguei de mais e te roubei tempo, isto se algum dia leres este "coment".

25 February, 2005 22:41  

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