Thursday, February 03, 2005

Vespertine

No fundo, no fundo, não há heróis.
Não interessa quantos olhos têm ou de quem são as vozes que ouvem. Esquecemos o prazer de quase morrer em batalha do outro lado deste mundo, do prazer de ser banido de um círculo social, do prazer de bater com a mão na testa e ver, e cantar.
Mas quantas vezes os não vimos sorrir, de aparição ou tragédia? Quantas vezes os não soubemos sábios e de caneta ou microfone na mão, para o bem de todos? Que foi que lhes faltou, e que agora os condena a viver através de nós? Não vale dizer que heróis somos nós que os criamos, embora a tentação seja grande... Mas não, urgente era que quem faz falta estivesse perto, que é o que fica noutra cabeça.
É do que não conseguimos criar que precisamos, não de quem nos receba.
Por isso o nada matou os deuses.

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

you're the professor and i think that you should know...

03 February, 2005 21:40  
Anonymous Anonymous said...

Prometi que tentava; isto é, então, uma dessas tentativas. O importante feedback sem importância. Realmente, não vale dizer que heróis somos nós que os criamos, simplesmente porque não é verdade. Para teres essa admiração pelos 'génios', num plano real, aquilo que deixaram com uma mera caneta, um microfone, ou qualquer outro instrumento, é acima de tudo deles; e por mais que exageres ao não conseguires desviar os olhos de uns rabiscos numa folha de papel, por mais que estiques o significado e explores todas as possibilidades, por mais que faças deles mitos ou aparições, os rabiscos estavam lá. Portanto, o erro é de quem lê. Ninguém se proclama herói (não os que interessam, pelo menos). Hei, muitos deles nem sabem que o são!
Assim, tu não crias heróis - dás-lhes vida, dás-lhes continuação. E porque haviam eles de estar perto? É exactamente na distância que está a oportunidade de continuar, de renovar. Um novo herói nasce sozinho, só com velhas ideias e uma vontade que lhe embate de repente nas costas.
Tens os rabiscos na cabeça, não precisas de mais nada para criar (não se vê?), só a inconstante inspiração... se calhar nem isso. É do que não consegues 'ainda' criar que precisas, é de te veres que precisas.
E além disso, haverá alguma coisa que o nada não mate sem ser o escuro e o silêncio?

Cat

04 February, 2005 00:08  

Post a Comment

<< Home