Tuesday, May 24, 2005

Facilmente compreenderia se deixasse de escrever. Pelo não-capricho natural de quem se senta à sombra e tenta, pela primeira vez, ouvir a verdade que não existe. Escrever é o consolo do guerreiro em formação, que disto ainda precisa, mas não por qualquer vontade de glória (credo!, auto-satisfacção chega), pois nada de novo nem de sério me traria. Não há uma «alternativa útil», confesso, mas não faz falta. É isto: só Isto, tudo Isto.

"Quando Fa-Ch'ang estava a morrer, um esquilo guinchou no telhado. «É apenas isto», disse ele, «e nada mais»."

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Todos estamos apaixonados por nós mesmos (in love with yourself - David Fonseca). E sem querer transformar isto numa outra conversa sobre incómodos egos, e contrariando não só por contrariar, que mal tem a gloriosa auto-satsifação? Nunca releste algo que escreveste e de repente 'damn, this crap is true!' (great, now I'm swearing on your blog - how eloquent...). Claro que traz algo de novo; senão como poderia ser fonte de formação? O guerreiro não pode viver rodeado dele mesmo, mas é de dentro de si que tem de partir. Não "é" muito mais do que isso; "és" muito mais do que isso, tudo isso.
E agora sim só por contrariar o zen aí, the poor Fa-Ch'ang was about to join the invisible choir, porquê interrogar-se sobre o complexo e necessitado de longa contemplação sofrimento do bicho no telhado?
A filosofia requer tempo, a práctica zen é imediata (atrevo-me a dizer que pensada num sitío com bastante sombra). Como disse, realmente poupam-se preciosas horas da nossa existência. Cat

26 May, 2005 22:23  

Post a Comment

<< Home