Quem mais filtra é a exigência.
Surge algures um roçagar subtil e devorador que nos faz coçar a nuca. Coçamos a nuca com a mão com que antes segurávamos a caneta, e finalmente interrompemos o nada que tanto nos empenhávamos em declamar. Coçamos a nuca, olhamos o céu com a moleza de quem não quer investigar e deixamo-nos cair ao longo da parede. Sentamo-nos no chão frio e amaldiçoamos a nossa falta de jeito. Porque o que queríamos mesmo dizer já se perdeu, enterrado em tentativas.
Claro que é o tentar que mata, temos dito, mas quem filtra mais é a exigência. A cruel exigência que só nos deixa começar quando nos sabe condenados ao fracasso. A arguta exigência que parece não saber porque quer tanto o que quer. Mas não encaixa... Claro que a exigência somos nós mas então, como pode ela conseguir o que quer, querendo-o?
Claro que a exigência somos nós, falhamos no desabrochar de uma flor, falhamos no impulso de um beijo não profetizado. Percorremos quilómetros para que nos vejamos ao espelho e nos possamos matar distraidamente, como quem adormece.
Incoerente ou enganada, a exigência... Saberá que, na sua forma de pedir mais, está de facto a pedir menos? Tudo o que recebe é sem dúvida o pior que há para dar, e ningúem o merece mais do que o seu próprio criador: Ou não tivéssemos todos vindo até ao espelho...
Surge algures um roçagar subtil e devorador que nos faz coçar a nuca. Coçamos a nuca com a mão com que antes segurávamos a caneta, e finalmente interrompemos o nada que tanto nos empenhávamos em declamar. Coçamos a nuca, olhamos o céu com a moleza de quem não quer investigar e deixamo-nos cair ao longo da parede. Sentamo-nos no chão frio e amaldiçoamos a nossa falta de jeito. Porque o que queríamos mesmo dizer já se perdeu, enterrado em tentativas.
Claro que é o tentar que mata, temos dito, mas quem filtra mais é a exigência. A cruel exigência que só nos deixa começar quando nos sabe condenados ao fracasso. A arguta exigência que parece não saber porque quer tanto o que quer. Mas não encaixa... Claro que a exigência somos nós mas então, como pode ela conseguir o que quer, querendo-o?
Claro que a exigência somos nós, falhamos no desabrochar de uma flor, falhamos no impulso de um beijo não profetizado. Percorremos quilómetros para que nos vejamos ao espelho e nos possamos matar distraidamente, como quem adormece.
Incoerente ou enganada, a exigência... Saberá que, na sua forma de pedir mais, está de facto a pedir menos? Tudo o que recebe é sem dúvida o pior que há para dar, e ningúem o merece mais do que o seu próprio criador: Ou não tivéssemos todos vindo até ao espelho...

2 Comments:
A felicidade é feita de momentos e a vida tambem,qualquer momento conta para a vida, faz a tua contabilidade e não percas o teu tempo com banalidades.
A tua esperiencia é a tua mais valia.
Age sempre com o coração e não te arrependerás
um bocado fatalista, n?
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