Monday, July 18, 2005

That is enough,
To want more would be greed.


E tudo se toca no extremo do mundo, o alto de um telhado, no início do céu nascente. Vermelho sob os pés descalços, verde à frente e o só azul por cima e a toda a volta, o único mistério por resolver, e que assim continuará. Porque não há determinação que nos impeça de voltar à perdição.
Somos deuses aqui, enquanto todos dormem, e que mistério falta aos deuses resolver? Ser Homem e amar verde vermelho e azul como se de nós próprios se tratasse. Ser Homem, amando como deus, cuja única imperfeição é ter o frio que obriga a descer.

Afinal estava lá o cinzento também. Porque nele se escondeu o Sol? Porque se envergonha diante de mim? Porquê encarnar os cães que passam na rua e ladram ao longe, em vez de me aquecer a pele e o coração? Ainda não quero descer, deixa-me ficar um pouco mais, minha alma...
Vejo o cinzento a enfraquecer, virar roxo, virar branco. E como os cães se não calam, percebo-Te na imensidão de tudo... Como Vento, sussuras paz ao meu ouvido. Como Nuvem, deslizas caprichosamente como quem faz suspense. Como Sol, tratas dos últimos preparativos antes de me encarares, ladrando assustadamente enquanto Cão.

Desço feliz e o mais determinado possível, apenas para dormir. Não esperei por Ti, não chegas a desiludir-me. Farei com que seja mútuo, mas só quando me vires na luz do regresso. Não há espanto na comunhão de implacáveis e omnipresentes, pois nada mais me sinto agora, verdadeiramente humano, verdadeiramente errado.
07:23

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Não escreveste só, desenhaste. Mais que simples cores, pintaste o não-desenhável.
And I disagree - it’s only enough while wanting the ever unreachable. It’s never enough to want more, since greed can twist to self-consciousness. It can be unending and addictive though…
Cat

21 July, 2005 00:17  

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