Sunday, August 07, 2005

Aquilo de que não nos damos conta. O que pensamos estar a deixar fluir ou sobre o qual nem chegamos a pensar o que quer que seja e que continua desconhecido.
Aí se vê a nossa preguiça.
Lamentarmos e acharmo-nos desleixados não sabe bem, não sabe a útil, e culpar outros que não nós também não parece de quem tem muito juízo. De facto, preguiça é o nosso escurecimento. É causa, é sinónimo, é consequência. Não é deixar de escrever, é deixar de querer escrever, certamente vêem a diferença. Não é querer chorar como quem invoca musas antigas, mas chorar mesmo como quem as matou e viu esconder-se o sol, vêem a diferença?
E preguiça não é ter sono, não é fome nem enfraquecimento, muito menos tristeza. Preguiça não é lapso nem distracção, não é falta de tempo nem depressão.
Escurecimento é não ver o sol quando tudo brilha. É surpreender o espelho com olheiras de coisa-nenhuma. É esquecer a radiância de ver crescer o mundo. É encher de cera as orelhas, cera e sangue, de quase as arrancarmos de medo (não querer ouvir vem antes do não o conseguir).
Isso mesmo, escurecimento é medo. De quê? De escrever, claro. Era até difícil ter visto antes, medo é causa, é sinónimo, é consequência.

O antes, o durante e o depois só em simultâneo podem ser convertidos.
A solução esotérica habitual só podia ser dançar. Dancem, então. Da minha parte, estou farto disto. A maneira medricas de se estar farto.

4 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Aplauda-se a tua manifestação contra a preguiça, contra o escurecimento. Embora tenha que dizer que em certos casos, a melhor decisão a ser tomada é a de deixar acontecer naturalmente, deixar seguir o seu rumo, não intervir.
Só uma pequena pergunta. Palpita-me que não atiras só culpas para fora, mas também para dentro, ou seja, para a tua excelentissima pessoa. E serve este comentário meramente só para saber se me poderás responder à minha singela questão: Estou certo?

08 August, 2005 15:21  
Blogger João Vale said...

Pareces não te aperceber do quanto estás certo, ou talvez aches que seria um atrevimento da tua parte. Não há culpas atiradas para fora.
Obrigado.

08 August, 2005 18:03  
Anonymous Anonymous said...

Obrigado eu. Pelo esclarecimento. E também pela correcção. Admito que nunca pensei que fosse algo só para ti.
Despeço-me com uma vénia.

08 August, 2005 21:51  
Anonymous Anonymous said...

Dancin'. cat

14 August, 2005 21:04  

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