Tuesday, December 12, 2006

the window

Fico indefinidamente à espera duma súbita realização. A mudança mais fácil de todas - a que nos é imposta! É certo e sabido (É Aldrabice!) que não a toleraria se viesse de outro exterior que não o falso: quem recebe os que aconselham? Só os espelhos ouvimos, daí viria a única revelação. Mas o espelho somos nós (a sério?), e a mudança é tão fácil quanto não ter dúvidas de que dela precisamos, e "Quem as não tem"?

Quem precisa verdadeiramente de mudar? Quem precisa, ao invés disso, de se desiludir dessa necessidade? Está vincado nas sobrancelhas, está vincado nos sonhos. Toda a vida da música, da poesia e da memória - Mentirosos! - parece provocar-nos a curvar, como se a linha recta nos afastasse da felicidade. O Marketing Literário: contextos dos outros, cujo génio mascaramos na utilidade que têm para os nossos contextos, nesse salto para a importância que é encontrar-se no que se gosta e se reconhece valor.

Lembro posts antigos - não há culpas atiradas para fora - mentirosos? Quem mascara! Quem lê e espera viver por isso. Terna homenagem a quem lê por ler. E se aqui finjo não saber que me engano violentamente no que escrevo é porque quero esquecê-lo. Talvez fingir só mais uma mudança (no teatrozinho das nossas ilusões). Neste caso, a mudança a que se chama aprendizagem, como quando os à-voltas se vão complicando gradualmente, partindo de uma simplicidade inicial -por hipótese. É ainda outra forma de nos mascararmos, medricas, de julgar escrever o guião. Como quem, por não poder escrever o da «vida a sério», escreve o da «de brincar», como se de mesas e cadeiras se tratasse. Como quando acordamos irritados porque um sonho bom foi interrompido e desejamos que o que aconteceu aconteça, que é só uma forma ilusoriamente mais complexa de desejar voltar a dormir.

A felicidade, quando se quer olhá-la ao longe, surge logo a seguir à desilusão. Desilusão de que ilusão? Da ilusão que diz que olhá-la ao perto é uma ilusão ("Tenho de arranjar outra palavra"). E dou uma volta tão grande porque dizê-lo de outra forma me humilha e não é novo ("When all you have is old words, you can only hope you might rearrange them into something new").

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