Thursday, February 01, 2007

look at that

O que faz feliz a rapariga da publicidade? É o creme anti-rugas que publicita? O simples facto de trabalhar, e logo onde lhe elogiam a imagem? Diz-se que se acertássemos nos motivos que contribuem para a felicidade de outrém, também seríamos felizes... Daí que não acertemos..., porque "os que falam, não sabem e os que sabem, não falam". O mesmo se aplica aos felizes. Talvez a rapariga da publicidade mais não queira que animar os desesperantes começos de noite dos exaustos trabalhadores à espera de autocarro. Animar ou lembrar-lhes que há um mundo tão mundanamente mais brilhante ao qual não tiveram meios para aceder.. Isso já não depende de quem a vê.
Talvez o marketing não seja ilusório: será mesmo inconcebível, a felicidade, ao posar para uma câmara enquanto se saboreia o aroma do café? Será que nos querem realmente dar a ideia de que a sua felicidade depende do que publicitam? Ou seremos nós quem disso os acusa, para nos sentirmos vítimas dessa conspiração maquiavélica que é o incentivo ao consumo. Verdade se diga, é-o em muitas vertentes. A vertente daquele que não compra, o raivoso que diz "a mim não me enganas tu" e que nem chega a provar; a vertente do desconfiado que prova, à espera dum tesouro escondido, dum deslumbramento, só para depois se sentir enganado e poder regressar à eterna ambição...
Talvez o incentivo ao consumo seja mais honesto do que parece. A causalidade somos nós que a inventamos: se felizes são os momentos ou os comentários ou as reflexões ou as oportunidades, a felicidade de quem publicita não estará no acto de publicitar, ao invés de na presença de um qualquer saca-rolhas topo de gama?
A publicidade não é um incentivo ao consumo, mas um incentivo à perseguição da felicidade, para quem isso quiser ver. Como uma extrapolação do amor "um-dia-quero-ser-como-tu" que a menina sente pela cantora de ar cool. Haverá na publicidade uma voz que grita que a "dita" nos pode surpreender, quando provamos um sumo natural ou tropeçamos "naqueles sapatos tão giros".
Momentos felizes escapam-nos por milímetros, às vezes. Quando assim é, é-o por falta de publicidade. Por pensarmos que a Felicidade (já parece uma coisa tão sobrenatural!) não pode estar já aqui ao pé.

É urgente a liberdade! Soltem-nos da eterna felicidade que não existe. E olhem que isto não é contentar-me com pouco. É imenso, querer aproveitar esta felicidade que se me aparece sorrateira, que me atrai, como se de publicidade se tratasse. Pela desdramatização de felicidade! Felizes são os momentos, se estivermos preparados para que o sejam. Para os deixarmos ser. Para sermos um momento feliz.

Queres ser feliz, por um momento? Ou isso é tanto que não te chega?

9 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Honestly, eu acredito que um anuncio pode ser aquilo que tu queres que seja. Afinal, a maioria deles nao sao ambiguos? Mas, sinceramente, mais vale optar pela felicidade que, por muito momentanea que seja, é felicidade - porque nao temos mais do que isso. Feliz e quem sabe contentar-se com o que tem, e geralmente e sempre pouco.

07 February, 2007 18:57  
Anonymous Anonymous said...

Depois de tanta dissertação sobre a felicidade, perdi a escrita.

10 February, 2007 23:06  
Anonymous Anonymous said...

Não se aguenta com a minha dissertaçao e bota abaixo. Vou ser breve. Felicidade efémera a da rapariga, talvez por ser a mais bela das 50 concorrentes em inúmeros castings.

11 February, 2007 00:22  
Anonymous Anonymous said...

3
Por ser a mais bem paga, por estar espalhada em não sei quantos outdoors da cidade. Quão efémera! Decerto que os exaustos trabalhadores não só não partilham da sua felicidade,como têm que a ver todos os dias, à mesma hora e no local do costume.
Se ela ainda saltasse do placard e com o seu crem anti-rugas lhes cuidasse da pele e da alma...

11 February, 2007 00:28  
Anonymous Anonymous said...

4

A Felicidade existe. Só temos que estar presentes , não lhe voltarmos as costas e saber sentir.
É a brisa amena e odorosa do entardecer à beira mar, são as risadas das crianças, são a visão do que não se vê, é o rubor do coração.

11 February, 2007 00:35  
Anonymous Anonymous said...

5
Ela está em todo o lado. É só saber vê-la, e não é pouco, mesmo que não a nossa, e sim a dos outros.

Alguém disse: a felicidade é o que se procura ou o que se perde; nunca o que se encontra ou o que se tem.

Talvez tenha razão.

11 February, 2007 00:55  
Anonymous Anonymous said...

6

Eu digo: QUERO SER FELIZ TODOS OS MOMENTOS!

Que ambição tão infeliz.
Ou será: que infelicidade tão ambiciosa????

Nada mais a dissecar, ou a dissertar...

11 February, 2007 00:59  
Anonymous Anonymous said...

Sim, momentos felizes passam-nos por milímetros, às vezes. Mas, só sentimos essa perda quando nos é permitido ou é possível senti-la.

11 February, 2007 20:36  
Anonymous Anonymous said...

faz-te feliz, faz-me feliz. isso é q importa certo?

12 November, 2010 17:03  

Post a Comment

<< Home