ver
somos bichos ínfimos a desejar mundos. sentir a dimensão colossal do que falta sempre ver, e que nos acalma até nascerem asas... efémeras asas. as asas da contemplação teimam em derreter, e para os incautos são logo os grilhões da cobiça, e para os cautelosos são logo os grilhões da memória, até voltarmos a ser ínfimos. Porque só num mundo pequeno se pode ser grande, e os mundos pequenos têm demasiados fins.

3 Comments:
prisioneira eterna desse desejo infinito de mundo. sinto-o assim. há já muito. desde cedo. sei que será sempre assim, que nascerão e morrerão asas nos meus ombros num ciclo que nunca termina, que fará parte inteira de mim.
todos os dias morres um bocadinho
qualquer que seja a dimensão do mundo, sob algum ponto de vista somos sempre grandes
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